quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Divas Live!

O décimo quinto dia do mês de setembro do ano de 2011 foi marcado pelo encontro do século entre este que vos escreve e a queridíssima Ester. Marcamos de nos encontrar na frente da marulha da Piazzale Flaminio – porque lugar mais dramático para este evento histórico não existia!Já chegamos afrontando numa igreja pra ver os dois Caravaggios originais que tinham por lá, mas fomos gongados porque eles colocaram uma barricada anti-turistas por decorrência de uma missa que estava acontecendo. Daí, ao lado da igreja, tinha uma dessas fontes de água que fica caindo. Eu sempre fui muito cético quanto a beber essa água porque eu jurava que era mijo dos padres, porém, Ester me convenceu a tomar a água explicando que ela vinha lá de um poço inóspito à milhões de metros de profundidade. E não é que a água era ótima??? Geladíssima! Morri!

Depois de um suco de laranja, um capuccino e dois croissants simples com macadâmias por cima em uma típica cafeteria italiana, Ester resolve me mostrar a rua de luxo de Roma. Começou com umas lojas bem simples como H&M, Sephora, Zara, três segundos depois, já estávamos passeando entre lojas da Dior, Valentino, Louis Vuitton e entramos horrores na loja da Dolce & Gabbana; com aquela cara de turista, usando roupinhas light layers de verão no maior carão blasé do mundo. Folheando aqueles vestidos haute couture pendurados nos cabides como se fossem roupinhas sujas de um bazar do mercado mundo mix qualquer.

Então, depois da D&G, foi aí que eu me deparei com a loja da Burberry e a Ester, tadinha, teve que me aguentar na loja procurando um trench-coat chiquerrézimo laminado que eu queria. Porém, quem manda ela me levar numa rua dessas??? Haha. Daí já chegamos no vendedor italiano lindíssimo e Ester arrasando com o italiano dela. Mas o boy não achou o meu tão sonhado trench-coat laminado da coleção de luxo Prosum (porque eu não sou obrigado a nada menos do que a coleção de luxo!). Até no site da Burberry o boy entrou, com o iPad dele. Mas não tava mais no site, é um mistério! O casaco saiu do catálogo!! Mas eu não imaginei coisas não, é esse casaco aqui:
E Éster e eu nos jogamos pelo centro de Roma, nas ruínas, no restaurante italiano bem em frente ao Panteão e em mais uma dezena de lugares lindos e dignos que só alguém que vive em Roma poderia me levar.

Foi luxo, poder, sedução, magia e riqueza elevados ao cubo. Éster, querida, muito obrigado pela recepção e pelo tempo que você me dedicou pra mostrar esses lugares. Adorei te conhecer pessoalmente e ainda nos veremos novamente pra senhora me mostrar os vilarejos provincianos escondidos que ninguém conhece!

E segue uma foto deste dia histórico – com a vitrine da Prada ao fundo, porque, novamente, não somos nem um pouco obrigados.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Update

Desculpem-me a demora em atualizar isso aqui, mas, eu estou com uma preguiça!! Rsrs… Essas aventuras pela Europa aconteceram em 20 dias e eu tô demorando mais de 2 meses pra terminar com essa saga.

Bom, vou resumir, passei em Praga, que foi meio meia-boca, até mesmo porque o clima não ajudou muito - tomei bastante chuva na cabeça. Fui pra Viena, que eu meio que só conheci de noite, porque eu cheguei bem tarde e parti pra Zurique bem cedo. E em Zurique aconteceu alguns babados meio que impublicáveis neste espaço virtual. Só conto as histórias de Zurique pessoalmente, regado a muitos drinks e água mineral com gás San Pellegrino ou Perrier – nada de Crystal ou águas de Lindoya!

Nos dois meses seguintes, eu voltei pro Brasil pra aproveitar o resto das férias e dia 26 de junho eu fui para o meu navio seguinte, que estava na Flórida. Estava odiando lá porque estava um calor intenso, e toda a semana eu estava no Caribe, México e nas ilhas ali no Haiti. Para quem gosta de praia, é um paraíso, mas eu não sou uma dessas pessoas e, pra mim, aquilo estava uó.

Três semanas depois, Cher ouviu minhas preces e eu recebi uma promoção e fui transferido pra um navio na Europa – que é muito mais a minha cara. Estou toda a semana em Barcelona, Toulon e Villefranche (Riviera Francesa), Livorno, Roma e Nápoles.

Além de ter uma cabine muito maior, eu estou me sentindo quase como de férias. Como agora sou eu quem decido a que horas eu trabalho, to acordando na hora que eu quero e tenho o dia todo livre pra sair nos portos. Só trabalho de noite, por umas duas horas, dentro da minha cabine, de pijamas, com um laptop interligado em rede. Acho digno e básico!

A noite ainda to fazendo aula de zumba (um tipo de dança latina, misturado com condicionamento físico). Nossa, tô rebolando horrores! Shakira perde! E tô vivendo de pizza e pasta. Além de fazer muitas compras na Zara da Itália. Porém, estou tentando me conter, senão eu vou ficar uma baleia e não vou conseguir mais entrar nos jeans slim-fit de cintura baixa que eu acabei de comprar na Zara!

Por enquanto é só…

Mais novidades em breve!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Varsóvia

Chego em Varsóvia, já usando o casaquinho Adidas, linda e soviéticamente. Depois de uma viagem tranqüila de trem, eu já chego quase morrendo com o Krystof, o boy garçom polonês que trabalhava no vaguão do restaurante que era a coisa mais linda deste mundo.


Saio da estação, troco 100 euros em dinheiro polonês. E pego um ônibus até o hotel. Já que a mapoa da informação me disse que o hotel era a 5 minutos dali.


Minha primeira impressão de Varsóvia foi meio uó. Não via nada demais. Fui ao hotel, deixei minhas coisas. Dei uma espairecida e resolvo explorar o lugar. Putaquepariu! Que lugar mais lindo! Calei a boca.


A cidade é linda. Tudo limpinho, tudo certinho e, empatou com a Alemanha, como o país com os boys mais lindos por metro quadrado. Nossa eu chorava demais! Umas praças pitorescas, aquele ar blasé europeu por toda a parte. Bairro com ruas estreitíssimas. Mas ainda tinha o ar de uma grande metrópole com avenidas e edifícios modernos.


Voltei pro hotel passado, dormi por um tempo pra acordar pra night em Varsóvia – que prometia! Sai com o endereço de um monte de lugares. Mas, por ser véspera de domingo de Páscoa, tava tudo fechado ali no centro velho da cidade, que era aonde eu estava. E eu estava indo a pé porque o meu hotel era perto da área gay da cidade (PS: eu sempre fico, acidentalmente, na parte gay da cidade, seria coincidência ou o mundo todo está ficando gay?).


Mas eu não tô deitando não! Eu IA numa balada gay na Polônia custe o que custar! Parei no meio da rua (deserta) e pensei, “por que eu estou aqui andando que nem um besta olhando em mapas da cidade e tentando me guiar se eu sou ryca e phoena?!”. Firme e decidido, dei um sinal pro táxi e falei “me leva em uma balada gay agooooooooooooraaaaaa!”. PAFT! Cinco minutos depois e eu estava na frente do Tora – que eu vim a descobrir que era única balada gay em atividade da cidade.


Entrei linda e o lugar era pequeno. Não tinha muita gente (por causa do feriado) e a música era aquele pop uó. Mas bobagem. Tinham uns boys lindos, mas estavam acompanhados. Começo a dançar linda e o povo passado tentando saber que eu era, de onde vim e o que fazia ali. E o babado de ir em boates estrangeiras é que você sempre será um forasteiro estrangeiro exótico de um país distante e nunca falta assunto. Seja um “que horas são aqui nesse país pra eu ajustar meu relógio com o fuso horário local?” ou “Não falo o seu idioma”. Sempre há algo pra conversar, isso é, se a pessoa falar inglês também. O que não era o caso, porque todo mundo só falava polonês e vinha gente em mim me perguntando coisas e eu lá calado na base da mímica.


Anyway… daí estou dando um close quando uma bibinha gordinha começa a puxar papo comigo. Começo a conversar e, dois minutos de conversa depois, a beesha me vira pra mim e fala: “paga uma cerveja pra mim, por favor! Preciso beber!”. Tão me achando com cara de embaixatriz da boa-vontade?? Se toca e arranja um emprego, queridinha! Virei as costas e fui pra pista. Isso já era umas 4 da manhã e o local estava cada vez mais vazio.


Saio linda da buatchy e, na entrada, tinha umas mesinhas e um boy sentado lá me pergunta se eu era turco. Falei que era brasileiro e resolvo sentar e conversar com o povo que ali estava, tinha bastante gente e ficamos conversando por uma meia hora. Fiz amizade com umas bees polonesas, que foram as que me falaram que a Tora era a única balada gay aberta da cidade. Que existiam festas gays que aconteciam em clubs héteros em determinados dias e que as melhores baladas estavam fechadas. Me despeço das bees e volto pro hotel.


Saio linda de manhã com destino à Praga, na República Tcheca.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Berlin (Parte 3 de 3)

Berlim Day 5

Durmo até de tarde. E a noite promete! Quase rola de ir numa festa techno underground ilegal que ia rolar, mas a polícia foi mais rápida que eu e gongou o bafo antes da minha chegada.

Daí descido ir ao bairro pink de Berlin, Shöneberg - porque se a noite anterior foi fitness, essa noite seria a noite da bateção de cabelo. Pego a minha revista gay alemã (acuendada da portaria do hotel) com todo o roteiro dos melhores lugares com as melhores festas do mês e vou lindamente às 22h da noite fazer o aquecimento no Hafen – o mais famoso bar de Berlim.

Foi surreal! O lugar é pequininíssimo e a música é todo um detalhe. Toca tipo músicas folclóricas tradicionais alemãs, músicas de cabaret no melhor estilo “Raindrops Keep Falling on My Head” e cheguei até a ouvir uma versão surreal em alemão de “A Banda” do Chico Buarque cantada por uma mulher. Fiquei passado!

Tinha muita gente. Só que a maioria era gente mais velha. Tomo dois Redbulls, jogo conversa fora com um povo ali e vou pro bar ao lado. Esse era mais heavy. Tinham TVs passando filmes pornôs SM, uma música mais pop e um dark room. Mas nem fui lá porque não sou obrigado. O que mais me chamou a atenção é que o lugar parecia uma academia adaptada. Tinham vários aparelhos de ginástica utilizados como decoração, incluindo um cavalo vintage de ginástica artística sendo usado como mesinha de centro.

Daí, descubro que tem uma balada babado ali chamada Goya. Num lugar gigante. Chego na portaria e tinha que colocar uma correntinha no pulso. Vermelho se você for ativo, verde passivo, amarela era bissexual e azul era hétero. Não tinha pulseira de versátil! Era oito ou oitenta! Vale lembrar também que a pulseira da passividade já estava quase em falta e a dos ativos tinha uma pilha.

E eu tentando perguntar se era obrigatório usar esse bafo e o boy não entendia muito bem inglês e estava pensando que eu não estava entendendo o propósito das pulseiras. Daí ele falava: “Are you going to fuck or be fucked??”. Achei tenso e pus logo essa pulseira uó.

Adentrei no lugar e era música de viado mesmo. Entrei e estava tocando “Single Ladies”. E tocou todas aquelas músicas uós pops. Mas enfim. Era uma balada bem legal. Tinha um povo bonito. Mas a maioria era feminina. Nesse quesito, a pulseira ajudou bastante porque meio que funcionou como um repelente contra passivas. As bichas chegavam todas simpáticas em mim, olhava pra minha pulseira e já voavam.

Daí me sento no sofá, depois de uma hora e senta um menino lindo alemão do meu lado. Pergunto em alemão se ele falava inglês e o boy não falava. Olhei pro braço dele e ele estava usando umas 3 pulseiras de cores que não conseguia distinguir. Ele se levantou e eu resolvi voar dali e voltar pra pista.

Na pista, um boy começa a me olhar e se aproximar de mim. 0.5 segundos depois já estou arrasando com ele. Ele era um pouco mais velho, uns 38 anos e tinha um corpo do bem. Depois de uns beijos, ele começa a falar comigo em alemão. Quando ele percebe que não falo o idioma, a nossa conversa fica meio na mímica. Apesar de ele falar um inglês basiquinho. Pergunto o que ele faz e ele “POLIZEI”, o boy era policial! Lindamente! Daí o boy policial continua me beijando, se reposiciona atrás de mim e começa a dançar me encoxando! Achei, muito assim, baile funk carioca repaginado! Bafo! Daí fico lá com o boy e ele me pergunta se eu quero ir no banheiro com ele para you-know-what. Olha a minha cara! Falei que não.

Ele também me chamou pra ir na casa dele. Mas fiquei com medo. Primeiro que, sinceramente, eu não estava afim de nada naquela noite a não ser ferver, segundo que, o boy sendo policial, deve ter armas na casa dele. E vai que a coisa fica meio visceral e ele me algema na cama dele? Ou ainda ameaça me matar se eu não fizer um fist-fucking ou algo assim? Achei melhor deixar quieto.

Daí, lá pelas 6 da manhã eu volto pro hotel pra fazer as malas. De manhã, eu pago 9 euros pro taxista me levar na loja de artigos vintage esportivos e a loja estava fechada. Eram 9:30 da manhã e só abriria às 10. Meu trem estava marcado pra sair às 9:50.

Fiquei muito passado de raiva! Foi aí que Santa Cher fez um milagre que atrasou o meu trem em quarenta minutos. Quando eu ouvi o anúncio no PA, eu já estava de novo no táxi e VOOEEI pra loja de artigos vintage esportivos. Estava aberta, morry!

Já chego desesperado pro boy “CASAQUINHO ADIDAS CCCP NOWWWWWW!!” e, para a minha surpresa, o boy não tinha NADA! Tipo assim, ele tinha os artigos vintage, mas era tudo genérico. Não tinha coisas de nenhum país, nem da União Soviética, nem da Rússia, nem nada! Resolvo comprar um casaquinho Adidas vermelhinho vintage basics – que foi o mais próximo que eu cheguei de ter um casaco CCCP e voei de lá, deixando pra trás uns tênis vintage Converse que tinha lá que eram lindos! Cheguei na estação e subi no trem faltando 10 segundos pra ele partir. Juro que foi uma cagada! Quase perdi o trem!

Próximo destino: Varsóvia.

sábado, 2 de julho de 2011

Berlin (Parte 2 de3)

Berlim Day 2

Terça-feira e o Greg foi pra Praga. Me despedi dele (porque também ninguém merece ficar o tempo todo com HT em busca de sexo em plena Berlim) e eu me mudei de hotel pra um mais bem localizado perto das baladas.

Andei linda por Berlim e fiquei passado com o sistema de metrô deles. Não tem catraca e as estações são praticamente desertas. Você vai na plataforma, compra o ticket numa máquina e valida o ticket em outra ali mesmo. Se você não tem um ticket válido e entra no metro, se for pego, paga uma multa de 40 euros.

Berlim Day 3

Quarta-feira chega e eu dou uma perambulada pela parte oriental de Berlim. Bafo demais! Tudo baratinho. Também foi ao monumento dedicado aos judeus mortos no holocausto. É lindo! Aquelas pedras retangulares de tamanhos diferentes. Lindo, lindo!

Daí vejo um menino alemão de uns 13 anos, indo em direção ao monumento e, cinco minutos depois ele saindo de lá aos prantos com o braço todo ensanguentado e com um corte super fundo no ante-braço. Acho que ele tentou pular as pedras e caiu com o braço bem na ponta de uma delas, que são bem afiadas. Foi aí que eu cheguei a conclusão que este monumento não era apenas comtemplativo e sim, um monumento vingativo! Acho que o artista falou: “Vocês alemães mataram meu povo, nean? Agora eu furo vocês!” Bafo! E tem o museu na parte subterrânea que é lindo também.

E, a noite, resolvo ir no Berghain/Paronamabar – que é uma das baladas mais arrasadoras de Berlim. Ficava pertinho do hotel e resolvo ir andando. Não via viva-alma na rua. Sabia o endereço, mas não sabia aonde era direito, como era o lugar – porque todas as baladas de Berlim são nesses espaços dirty, com muros pichados e tudo sujo por fora. Mas ali não havia ninguém. Resolvo voltar pro hotel muito frustrado por estar há três dias em Berlim e ainda não ter ido em nenhuma balada techno-minimal.

Berlim Day 4

Mais um dia de turismo por Berlim. E, dessa vez, vou no Bauhaus Archive Museum. Bauhaus, pra quem não sabe, era uma escola de design alemã bafônica, inovadora e pioneiríssima que existiu entre meados de 1919 até ser fechada pelos nazistas na década de 30.

Eu chorei! Bafo demais. Comprei tanto cartão postal. Foi babado. Daí eu fui no Museu do Cinema Alemão. E lá tinha, simplesmente, a estátua original do filme Metrópolis! Tsá, meu bein! Bafo! E também tinham os vestidos de Marlene Dietrich restaurados por Giorgio Armani – porque ninguém aqui é obrigado!

Depois de sair de lá, soube que ia ter uma balada no Berghain às 18h. Vou lá ver esse bafo. Entro na internet pra achar uma foto do local mesmo e não ficar perdido como no dia anterior.

Chego lá e vejo pessoas. Mas, assim, um povo muito estranho. Um povo rockeiro, não era o tipo de gente que iria pra uma balada minimal. Vou na portaria e o boy me deixa entrar. Chego no balcão e a mapoa me informa que estava tendo um festival de rock que não tinha nada a ver com o Berghain e que era pra eu voltar às 2 da manhã pra programação normal de techno. OK!

Me perco no caminho de volta pro hotel e, quando já estou morrendo de raiva, por estar perdido, um estranho local me chama a atenção; uma vitrine pra ser exato. Vejo centenas de casaquinhos vintage Adidas pendurados na parede. A loja estava fechada, mas leio a placa com o nome da loja; algo assim: Hen’s – loja especializada em artigos esportivos vintage das décadas de 60, 70 e 80. O que, pra mim, seria a mesma coisa que estar escrito: “Loja do Diego – especializada em artigos de design gráfico russo-construtivistas e dadaístas, música eletrônica techno-minimalista, Björk, Apple, ginástica artística e boys”. Chorei demais! Tinha tanta coisa! E, como está escrito na descrição ao lado, o meu sonho é ter um casaquinho Adidas vintage soviético com a sigla URSS em russo: CCCP.

Memorizei o endereço da rua e voltei pro hotel – na esperança de conseguir voltar nessa loja no sábado de manhã – já que o dia seguinte seria sexta-feira da paixão e tudo estaria fechado. Dormi um pouco, troquei de roupa e fui no Berghain por volta de 1 e meia da manhã. Porém, ainda estava rolando o festival e, apesar de eu ouvir batidas techno ao fundo, o boy da portaria, que era um outro, não me deixou entrar dessa vez nem pra conversar com as mapoas do balcão.

Pego o taxi irritadíssimo e sigo pro Watergate. Eu estava planejando ir lá só no dia seguinte, mas resolvi ir nesse dia mesmo. Outro detalhe do Watergate, aliás, de toda a balada bafo de Berlim, é que custa baratinho pra entrar em qualquer uma delas. Mas, não é tão fácil passar pela portaria. Seja quem for e tenha o dinheiro que tiver.

Outro detalhe importante nessa história é que eu estava de all star preto, calça jeans Calvin Klein preta, com uma camisa listrada rosa, que eu comprei num vintage shop, em Berlin Oriental, com a manga dobrada em 3/4 e com uma camiseta preta por cima da camisa, em sobreposição.

O boy da portaria olhou pra minha cara, me mediu da cabeça aos pés e me deixou entrar. Achei luxo, poder e sedução porque conhecia um monte de pessoas super influentes e populares da balada de SP que foram gongadas no Watergate.

Porém, para a minha surpresa, havia um segundo boy controlando a entrada que me disse na lata que eu não deveria estar com camisa, só de camiseta. Que eu estava muito formal e, por causa disso, não poderia entrar. Morry! Juro que morry! Quem ele pensa que é na noite pra gongar o meu modelito?!??!?

Daí um grupo de meninas de Berlim que estavam do lado de fora, me aconselha a tirar a camisa – já que estava de camiseta também e tentar de novo. Elas mesmas estavam esperando um amigo delas, que estava de camisa, voltar em casa e trocar de roupa.

Vou num lugar super escurinho na ponte (a balada fica do lado do rio Spree) e tiro a camisa. Volto de novo na fila e o boy fala que agora eu estava apropriadamente vestido, mas que não me deixaria entrar porque tinha muito homem e estava desproporcional. Que eu poderia entrar somente se eu achasse uma mulher pra entrar comigo.

Volto ao grupo de mapoas de Berlim e peço pra me juntar ao grupo delas. Elas aceitam, o boy amigo delas volta, a gente vai de novo pra porta de grupinho, o boy olha pra nossa cara e deixa a gente entrar. Finalmente!

Entrei e já vi um monte de gente de camisa por lá, ia colocar a camisa de volta, num sinal de protesto moral, porém, estava muito calor e resolvo deixar na chapelaria. Também estava decidido a ficar por meia hora, sair com uma cara blasé e fazer carão pra esse povo uó da portaria.

Mas acontece que a música estava tudo! Tudo!!! Não dava pra sair! E foi lindo! Dancei a noite toda até o sol raiar. Fiquei até 9 da manhã ao som do puríssimo techno minimal.

O que eu não gostei de lá foram as pessoas, alias as meninas que vão lá. Muito carão pra pouca coisa! Um bando de nobodies garçonetes que devem dar horrores pros porteiros do Watergate pra entrar - que não têm um euro pra guardar as bolsas na chapelaria (custa 1 euro mesmo!) e deixam no chão ou ficam carregando e dançando com peso a noite toda. E o pior de tudo – se sentindo as deusas porque estão no Watergate. Teve um monte que pisaram no meu pé e nem pedem desculpa nem nada! Nossa! Eu chutei tanto elas! Empurrei tanta mapoa! Foi babado!

Já os boys são mais simpáticos. Fiz amizade com dois boys lindos de 2 metros de altura de Stuttgart. Lindos, lindos! No final, tava todo mundo louco de ácido, foi bafo! A única coisa uó é que não dava pra saber quem era viado ou não. Lá todo mundo faz uma linha metrosexual-cult, então foi uó pra saber. Mas enfim, não tava nem aí. O importante é que eu fui no Watergate e arrasei.

PS> Eu não tava doido de ácido! rsrs.. aliás, nunca usei drogas, porque eu não sou obrigado!! Consigo lindamente apreciar música eletrônica por horas sem aditivos extras... Of course que um Redbull aqui e acolá ajudou bastante!!!

Eu voltaria lá! Mas, só depois de eu entrar pra máfia alemã do techno minimal e ter clear-entrance pela portaria desses clubs doidos. Porque eu não sou foca amestrada de circo pra pular por arcos de fogo toda vez que eu quiser ouvir músicas afrontes. Ou melhor do que ter clear-entrance pela portaria é entrar pelo backstage e ser pago pra estar lá, junto com o meu repertório exclusivíssimo, of course.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Berlin (Parte 1 de 3)

Trem Paris pra Berlim.


Estou lindamente no trem de Paris pra Berlim – um trem que vira a noite. Estou sozinho numa cabine com 6 assentos e decido ir comprar algo pra comer, porque a fome tava gritando. Na volta, na cabine ao lado, havia uma mensagem em inglês improvisada numa folhinha de caderno aonde se lia: “se você consegue ler isso, por favor, entre porque eu estou super entendiado”. Como eu também estava entediado, fiz a linha social e arrasei na política da boa vizinhança.


Nessa cabine tinham dois meninos e cem garrafas de cerveja vazias. Já cheguei me apresentando e os boys foram muito simpáticos. Eles também haviam acabado de se conhecer. Um deles chamava Eduardo, uns 26 anos, ele era meio italiano, meio alemão, mas morava na França com a mãe e estava voltando pra visitar o pai dele na Alemanha. O outro chamava Greg e ele é um soldado britânico de férias pela Europa. Ele estava aproveitando esse curto tempo livre pra viajar porque ele vai pra uma missão humanitária na ilha de Cyprus por 6 meses pra tentar evitar conflitos entre os gregos e turcos. Detalhe que ele tinha 20 anos, mas eu não daria mais de 14 anos pra ele. Branquinho, loirinho com cara de bebê.


Daí o Eduardo tava super bêbado e foi dormir na cabine dele. E ficou eu e o Greg conversando. Mas assim, foi uma coisa super impressionante porque eu nunca achei que eu teria assunto pra conversar com ele. O Greg era exatamente o oposto de mim! Ele era hétero de tudo, não tínhamos os mesmos gostos pra nada. Mas, de algum jeito, o papo fluiu a noite toda. Ficamos conversando até umas 4 da manhã. Outro detalhe: ele não catou que eu era gay e até hoje ele pensa que eu sou hétero. Tentei entrar meio no assunto, mas, quando eu comentei que teve um cruzeiro gay no navio que eu trabalhava, ele fez uma cara, que eu achei melhor deixar quieto. Chegamos em Berlim e o Greg resolve ficar um dia lá – ele ia direto pra Praga, mas mudou de idéia.


Berlin Day 1


Chegamos em Berlim às 10 da manhã de uma segunda-feira. Nos despedimos do Eduardo e eu o Greg resolvemos procurar um hotel juntos. Achamos e dividimos um quarto. Depois de um banho purificador, resolvemos sair e explorar a cidade.

Já me deparei com um pedaço do Muro de Berlim e já arrasei nas fotos. E eu passado com a masculinidade do Greg porque até o jeito dele andar era hétero. Ele andava pesado, não sei explicar direito. Daí fomos no Reichtag, que é um palácio do governo chiquésimo. Fomos andando por Berlim e eu fiquei passado com esse lugar! Que cidade linda! Que cidade organizada! As ruas são largas e espaçosas – então não tem trânsito. E dá pra estacionar o carro com 2 metros de espaço entre um e outro. Não é uma cidade super populada, então não tem muvuca nos transportes públicos. Daí, fomos procurar o bunker do Hitler. Achamos, e foi meio uó – porque o lugar subterrâneo foi soterrado. Então é só um buraco cheio de areia no chão com uma plaquinha explicativa suja.


Daí fomos noutro lugar chamado Checkpoint Charlie. Ali era um lugar “neutro” entre berlim oriental e ocidental. E era lá que os americanos e soviéticos batiam boca e lavavam roupa suja! E lá também tinha uma barraquinha vendendo artigos soviéticos como broches, bandeiras, chapéus. E o Greg, como bom soldado britânico, passado comigo arrasando na linha soviética! Mas eu expliquei pra ele que era mais um lance estético do que político. Também tinha uns uniformes do exército soviético. Mas eu achei brega. Pareciam as roupas do Michael Jackson. Se ainda fosse um casaco tipo sobretudo vintage da KGB, aí seria uma outra história.

Fomos numa avenida ali no centro e meu coração parou – uma loja da TASCHEN – que é uma editora de design bafônica. E tudo baratinho!! Os livros que no Brasil custam 100 reais, lá eu achei por 7,90 euros! Achei emoção pura!


E foi aí que nos deparamos com uma loja de CD e eu entrei linda. Mas cadê a sessão de música eletrônica, Berlim? Eu tentando achar o babado e só via uns gêneros pantaneiros. Daí resolvo perguntar pra alguém que trabalha lá e ele fala: “a sessão de música eletrônica fica naquela sala ali, querido”. E era uma sala mesmo! Uma sala gigante só com música eletrônica! Morri demais! Tudo que eu procurava eu achava. Resolvi comprar só uns 3 CDs do Trentemøller um single rarésimo do Portishead e voar de lá antes que eu deixasse até as roupas naquele lugar e tivesse que dormir debaixo da ponte com uma pilha de CDs de techno embaixo.


Voltamos pro hotel, dormi de tarde e saímos pra noite. Daí fomos peregrinando de bar em bar, se jogando na noite. E o Greg atirando pra todos os lados e eu linda lixando a unha com um Redbull ao lado. E eu todo simpático com os boys alemães lindos que ali estavam e eles jurando que eu era britânico por decorrência do meu inglês fluentérrimo (by the way, nessa viagem eu fui britânico, americano, canadense, espanhol, italiano e turco)! Babado!


Daí nos sentamos com duas meninas alemãs que estavam fazendo mestrado em neuro-cirurgia e tinham a minha idade. Fiquei passado. E , de novo, as rachas jurando que eu era britânico. Bafo demais. E elas eram umas fofas. E, depois de uma hora, elas voaram e eu e Greg também. Daí vinham as putas alemãs em cima do Greg (porque eu acho que elas cataram a minha linha rosa-choque) e o Greg “quanto você me paga??”. Nossa! Já tava vendo a hora que a gente ia tomar uma giletada das putas.


Mas enfim… a noite foi meia-boca. Mas foi engraçada.