quarta-feira, 22 de junho de 2011

Berlin (Parte 1 de 3)

Trem Paris pra Berlim.


Estou lindamente no trem de Paris pra Berlim – um trem que vira a noite. Estou sozinho numa cabine com 6 assentos e decido ir comprar algo pra comer, porque a fome tava gritando. Na volta, na cabine ao lado, havia uma mensagem em inglês improvisada numa folhinha de caderno aonde se lia: “se você consegue ler isso, por favor, entre porque eu estou super entendiado”. Como eu também estava entediado, fiz a linha social e arrasei na política da boa vizinhança.


Nessa cabine tinham dois meninos e cem garrafas de cerveja vazias. Já cheguei me apresentando e os boys foram muito simpáticos. Eles também haviam acabado de se conhecer. Um deles chamava Eduardo, uns 26 anos, ele era meio italiano, meio alemão, mas morava na França com a mãe e estava voltando pra visitar o pai dele na Alemanha. O outro chamava Greg e ele é um soldado britânico de férias pela Europa. Ele estava aproveitando esse curto tempo livre pra viajar porque ele vai pra uma missão humanitária na ilha de Cyprus por 6 meses pra tentar evitar conflitos entre os gregos e turcos. Detalhe que ele tinha 20 anos, mas eu não daria mais de 14 anos pra ele. Branquinho, loirinho com cara de bebê.


Daí o Eduardo tava super bêbado e foi dormir na cabine dele. E ficou eu e o Greg conversando. Mas assim, foi uma coisa super impressionante porque eu nunca achei que eu teria assunto pra conversar com ele. O Greg era exatamente o oposto de mim! Ele era hétero de tudo, não tínhamos os mesmos gostos pra nada. Mas, de algum jeito, o papo fluiu a noite toda. Ficamos conversando até umas 4 da manhã. Outro detalhe: ele não catou que eu era gay e até hoje ele pensa que eu sou hétero. Tentei entrar meio no assunto, mas, quando eu comentei que teve um cruzeiro gay no navio que eu trabalhava, ele fez uma cara, que eu achei melhor deixar quieto. Chegamos em Berlim e o Greg resolve ficar um dia lá – ele ia direto pra Praga, mas mudou de idéia.


Berlin Day 1


Chegamos em Berlim às 10 da manhã de uma segunda-feira. Nos despedimos do Eduardo e eu o Greg resolvemos procurar um hotel juntos. Achamos e dividimos um quarto. Depois de um banho purificador, resolvemos sair e explorar a cidade.

Já me deparei com um pedaço do Muro de Berlim e já arrasei nas fotos. E eu passado com a masculinidade do Greg porque até o jeito dele andar era hétero. Ele andava pesado, não sei explicar direito. Daí fomos no Reichtag, que é um palácio do governo chiquésimo. Fomos andando por Berlim e eu fiquei passado com esse lugar! Que cidade linda! Que cidade organizada! As ruas são largas e espaçosas – então não tem trânsito. E dá pra estacionar o carro com 2 metros de espaço entre um e outro. Não é uma cidade super populada, então não tem muvuca nos transportes públicos. Daí, fomos procurar o bunker do Hitler. Achamos, e foi meio uó – porque o lugar subterrâneo foi soterrado. Então é só um buraco cheio de areia no chão com uma plaquinha explicativa suja.


Daí fomos noutro lugar chamado Checkpoint Charlie. Ali era um lugar “neutro” entre berlim oriental e ocidental. E era lá que os americanos e soviéticos batiam boca e lavavam roupa suja! E lá também tinha uma barraquinha vendendo artigos soviéticos como broches, bandeiras, chapéus. E o Greg, como bom soldado britânico, passado comigo arrasando na linha soviética! Mas eu expliquei pra ele que era mais um lance estético do que político. Também tinha uns uniformes do exército soviético. Mas eu achei brega. Pareciam as roupas do Michael Jackson. Se ainda fosse um casaco tipo sobretudo vintage da KGB, aí seria uma outra história.

Fomos numa avenida ali no centro e meu coração parou – uma loja da TASCHEN – que é uma editora de design bafônica. E tudo baratinho!! Os livros que no Brasil custam 100 reais, lá eu achei por 7,90 euros! Achei emoção pura!


E foi aí que nos deparamos com uma loja de CD e eu entrei linda. Mas cadê a sessão de música eletrônica, Berlim? Eu tentando achar o babado e só via uns gêneros pantaneiros. Daí resolvo perguntar pra alguém que trabalha lá e ele fala: “a sessão de música eletrônica fica naquela sala ali, querido”. E era uma sala mesmo! Uma sala gigante só com música eletrônica! Morri demais! Tudo que eu procurava eu achava. Resolvi comprar só uns 3 CDs do Trentemøller um single rarésimo do Portishead e voar de lá antes que eu deixasse até as roupas naquele lugar e tivesse que dormir debaixo da ponte com uma pilha de CDs de techno embaixo.


Voltamos pro hotel, dormi de tarde e saímos pra noite. Daí fomos peregrinando de bar em bar, se jogando na noite. E o Greg atirando pra todos os lados e eu linda lixando a unha com um Redbull ao lado. E eu todo simpático com os boys alemães lindos que ali estavam e eles jurando que eu era britânico por decorrência do meu inglês fluentérrimo (by the way, nessa viagem eu fui britânico, americano, canadense, espanhol, italiano e turco)! Babado!


Daí nos sentamos com duas meninas alemãs que estavam fazendo mestrado em neuro-cirurgia e tinham a minha idade. Fiquei passado. E , de novo, as rachas jurando que eu era britânico. Bafo demais. E elas eram umas fofas. E, depois de uma hora, elas voaram e eu e Greg também. Daí vinham as putas alemãs em cima do Greg (porque eu acho que elas cataram a minha linha rosa-choque) e o Greg “quanto você me paga??”. Nossa! Já tava vendo a hora que a gente ia tomar uma giletada das putas.


Mas enfim… a noite foi meia-boca. Mas foi engraçada.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Paris

De Madri, eu peguei um trêm noturno pra Paris e cheguei lá às 7 da matina... Já sai da estação e tava na cara do rio Sena... atravessei a ponte e achei uma cafeteria babado aonde eu comprei o meu cafe bafonico francês tradicional de chocolate quente, baguete com manteiga, croissant, suco de laranja e geléia de pêssego caseira.

Achei um hotel babado do lado da rua Les Archives, que é o ponto gay de Paris.. Deixei minhas malas, tomei um banho e dei close pelo museu George Pampidou, dei close pelo Louvre., bati um papo com a Monalisa. Dormi a noite e acordei as 23h pra night... Dou um close pela rua les archives e não vejo nada demais... passo pela rua e ouço duas meninas lésbicas conversando em português! Nem deu outra.. me joguei na conversa, eu: "vocês são brasileiras??!! Desculpa me intrometer mas posso ficar aqui um pouco com vocês dando um tempo??" e elas: "claaaaaaaro, gato! Se jogaaaaa! Fica com a gente que você brilha!!". E foi bafo! 15 minutos depois e já éramos amygaaas de infância! Daí chega duas bixinhas amigas das mapoas: uma francesa ruivinha super fofa… e uma era negona… da Nigéria, muito afrontosa.

Nos apresentamos e a conversa começou a rolar em francês, inglês e português! Torre de Babel perde! Daí as mapoas iam pra uma balada eletrônica com a DJ alemã Ellen Allien.. quase que eu fui... mas elas estavam com nome na lista e eu não sabia quanto era.. achei arriscado e pensei logo comigo que vou ouvir muito minimal tech em Berlin...

Troquei facebook com as mapoas e resolvo ficar com as duas bees. Paris é bafo porque você entra nos lugares e não paga... só o que beber... e, como todos os bares fica um do lado do outro, você vai mudando de ambiente várias vezes.

Fomos pra um bar chamado ILoveDJ. O DJ tocou de Michael Jackson, Lady Gaga até Madonna... Juro que ouvir "Vogue" em Paris é uma experiência única!! Foi close... Mas o lugar era um cubículo e a pista era no porão... Foi luxo! Ainda encontrei com uma bixa brasileira chamada Leon que está estudando em Paris e, quando viu que eu era brasileiro, me abraçou, apertou e me chacoalhou!

Adorei a vibe de Paris... Estava esperando que as bees francesas fossem todas carudas mas todas eram muito simpáticas... fofíssimas mesmo! Dava pra conversar com todo mundo ali. Duas horas de bateção de cabelo e fomos pra outro bar que eu esqueci o nome. Lá tinha um povo mais bonito.. sentamos numa mesa e começo a bater papo com um holandês LINDO que chamava Jeller. Mas lindo mesmo!! Alto, loiro de olho verde! E papo vai, papo vem e o boy é engenheiro químico que estava em Paris fazendo um curso de 5 dias. Já foi pro Brasil também com os mesmos propósitos e eu loca do edy neannnn??

E daí começa a vir mais gente na mesa e as conversas vão fluindo... Começo a falar com outra bee chamada Jean que faz documentários! A bixa deve ter a minha idade... ou uns 2 anos mais velha e viaja o mundo todo a trabalho - também já foi pro Brasil. Daí ela me fala assim: " eu era cortador de grama, daí decidi parar e fazer faculdade de ciências políticas; fiz na universidade de paris e tenho dois mestrados". Nussss.. achei muito basics!

Também chega outra bee francesa chamada Phillipe que não falava muito ingles... E nunca tinha falado com estrangeiros antes.. então, quando ela viu que eu entendia o que ela falava, a bixa ficou tão feliz que eu entendia tudo que ela não largava mais de mim... queria conversar e por o inglês dela em prática.. e eu lá lindamente! Daí a bee até me convidou pra fazer um picnic às margens do rio sena no dia seguinte.. mas não teria tempo...

Nisso o Jeller desse pra pista e eu vou atrás... Tento chegar nele, mas tava lotado o lugar e não conseguia passar... até chegar nele; ele pega uma bixa francesa uóoo... mas tipo assim.. a bixa era feia! Magrela... nossa.. fiquei passado... mas, assim, eles não ficaram de casalzinho... foi um beijo e au revoir!

Nos encontramos no bar de novo e me lembrei que tinha deixado a carteira na chapelaria com o meu casaco... O Jeller me oferece pra pagar um Redbull.. super simpático. Daí a gente conversa mais e sinto uma mão boba na minha cintura... e eu, coloco a mão no peito dele.. e todo aquele flerte... dae ele comenta que o bar man era muito bonito e eu "mas você é mais!!" e ele ri.. mas tipo assim... não tava rolando nada a mais que flertes... ele parecia meio distraído, disperso.. não sei se ele tava querendo ficar comigo;... ele me diz que vai no banheiro.. mas eu nem esperava que ele voltasse...

Fui dar close com as bees no bar de novo... E já tava ficando meio enjoado da balada (eram 5:30 da manhã). Ainda dou uma volta pra tentar me despedir de todo mundo e o Jeller já se atracando com o trigésimo boy da noite.. achei meio uó. Resolvi pegar meu casaco e voar dali.

Me despeço de todo mundo e vou caminhando até o hotel. A balada foi ótima. Só teria sido melhor se eu tivesse arrasado com o boy holandês. Não muito por causa do boy em si, mas fiquei arrependido de não ter sido um pouco mais "atirado". E fiz um pacto comigo mesmo que, nas outras boates que eu fosse nos outros países eu tenho que mudar de atitude urgente!

Já era de manhã e ainda não havia decidido pra onde ia... Me deu na telha ir pra Berlin... comprei meu ticket de tarde.. daí fui dar close na torrei Eiffel, Champ-Elysses e no Arco do Triunfo.. Voltei pra estação e peguei o meu trem pra Berlim.

sábado, 28 de maio de 2011

Europa, Here I Come!

Bom, como eu contei antes, estava trabalhando num navio em Los Angeles e fui transferido pra fazer o restinho da temporada brasileira num navio aqui em Santos. Pensei comigo que eles iriam me desembarcar antes do navio ser reposicionado pra Europa. Que eu iria sair no Brasil ainda.

E não é que eles me falam que eu fico até o primeiro porto europeu – em Tenerife, na Espanha. Eu disse “O queee???? Eu vou ficar 6 dias consecutivos no mar pra depois pegar um vôo sujo de 10 horas de volta pro Brasil direto?????? Nuncaaa! Já que estou na Europa, vou tirar pelo menos umas 3 semanas por aqui”. Porém, a cia não queria mudar a data da minha passagem, que já estava comprada. Ou seja, teria que eu mesmo ir até o balcão da cia, no aeroporto, e mudar por mim mesmo.

O navio chega em Tenerife. Saio do navio para ir pro aeroporto. Vem comigo dois engenheiros maravilhosos que também estavam desembarcando: um sueco e um croata de, pelo menos 2 metros de altura – sério! A cabeça dele fica a um centimetro do teto no navio e ele mal cabia no taxi! Bafoooo! Fomos nos três lindamente no taxi!

Chegamos no aeroporto e já corro pra loja da Iberia me informar sobre o basfond. O boy croata me fala que vai ficar ali fora fumando e já volta – achei um luxo ele pensar que tem que me dar satisfações!

Eu tinha um vôo de Tenerife pra São Paulo com conexão em Madri. Daí eu descubro que não posso mudar a minha passagem de Tenerife pra Madri. Mas que poderia mudar de Madri para São Paulo – só teria que comprar uma outra passagem separada pra sair de Tenerife. Achei bafo!! Chorei e já fui me informar sobre quanto custava a passagem: 140 euros! Linda!!! Sai correndo que nem um louco pelo aeroporto pra trocar dinheiro! Porque tinha um vôo saindo em 20 minutos! Drama, drama, drama!

Troco 500 dólares e volto na Iberia, troco a minha passagem e a mapoa me emite um bilhete novo para 5 de maio de Madri pra São Paulo. Daí ela pega o meu flight plan emitido pela minha companhia e fala “ isso aqui agora é inútil!”. E amassa o papel e joga no lixo como se fosse uma cartinha suuuujaaaa! Achei poder e glória!

Depois vou em outra companhia aérea, porque Iberia tava metendo a faca e compro uma passagem suja pra Madri. Saio correndo lindamente pelo aeroporto sem ao menos me despedir dos boys engenheiros! Não havia tempo!

MADRID!!!

Chego em Madrid, desço, pego a minha mala e cadê a imigração Brasil???? E a receita federal???? Você sai do terminal de embarque direto pra porta da saída! Em 15 minutos eu tava lindamente dentro do metrô de mala e cuia!

Já estava ficando tarde e resolvo ir no hotel management do aeroporto e reservar um quarto... porque eu não sou obrigado a ficar no aeroporto o tempo todo... Estava pensando em ir pra Paris... mas estava muito tarde.. não queria chegar de madrugada... daí cheguei e falei "me vê o seu hotel mais barato"... Já que eu só queria um lugar pra passar a noite! Paguei 50 euros lindamente e eu imaginando que era um mukifo...

Porém, para a minha surpresa, o hotel fica na avenida do Museu do Prado... no segundo andar de um edifício antiguíssimo restaurado!! No quarteirão aonde tem uma loja Rolex! Com um monte de prédios e praças lindas ao redor...Morryyy!!! Só não tirei foto na hora porque tava de note!

Detalhe que o boy do aeroporto que bookou o hotel pra mim olhou pra minha cara, viu o glam e me colocou num hotel em uma área gay. Eu não sabia! Sai do hotel super com cara de sonso procurando um lugar pra comer e pergunto pra mapoa que trabalha no restaurante aonde tinha clubs legais... e ela me explica de todo o babado gay e eu saio pra dar close... como era uma quarta de noite, tava meio parado... mas nem entrei em lugar nenhum porque eu nem tava montado... nem nada... não estava muito bem vestido... nem esperava encontrar todo esse bafo.

Voltei pro hotel, dormi, amanheceu e fui explorar as imediações. Tomei café da manhã numa padariazinha suuuuja em Madri.. E, depois do café, dou dois passos e me deparo com o Starbucks e me mato de raiva de não ter visto-o primeiro... Dou mais dois passos e encontro a Zara (tava fechada porque eram 9 da manhã e só abriria às 10); dou mais dois passos e outro Starbucks, mais três passos e a Benneton, mais quatro passos e a Fnac, outro passo e a Desigual, outro e a H&M, mais um Starbucks! Morri demais e fiquei ansioso pra voltar. Mas não tinha tempo porque tinha que comprar minha passagem pra Paris.

PS> como tem homem lindo em Madrid, meu deuuuussssssss!! Chorey demaissssssssss!!!!

E me aguardem porque isso não é um babado! É uma colcha de retalhos gigante!!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

European Tour

Desculpem-me a demora em atualizar essa budega, mas eu não sou obrigado! Estava de férias na Europa, mochilando sem rumo por vários países, e todos os detalhes das minhas aventuras (as quais não foram poucas) serão contadas nos próximos posts, assim que me der menos preguiça de escrever porque, novamente, eu não sou obrigado!

sábado, 12 de março de 2011

Tsá????

Olá para todos.

Sei que eu estou muito sumido do blog, mas me deu uma preguiça aguda muito forte! Não é nem por falta de tempo; já que trabalho menos ainda do que eu trabalhava no outro navio – este navio é bem menor, portanto, menos coisas pra fazer.

A vida por aqui tá meio parada. As pessoas desse navio não são tão legais como a do outro que eu tava, mas, a gente vai levando. Têm algumas pessoas muito simpáticas e, como falta exatamente 4 semanas pra eu voar daqui, nem estou tentando me preocupar muito com isso.

O meu itinerário é a costa brasileira e, definitivamente, já estou começando a pegar raiva do Brasil! Ahaha… Uma situação inusitada que aconteceu é que eu fui cortar o cabelo aqui num shopping de Santos. Era um salão bem “moderno” e, por conta disso, o corte ficou 40 reais! – PS pras mulheres: corte masculino a esse preço é um pouco salgado!

Mas OK! Fui cortar o cabelo e, para a minha surpresa, era uma trans preta chiquéeerrima que iria cortar o meu cabelo! Achei um luxo! Ela tava toda montada, cabelo impecável, sapato com um salto gigante. Achei basics. Adoro essas quebras de paradigmas. Ela se apresentou e começou a passar máquina no meu cabelo.

Não sei se o boy dela brochou, se venceu o crediário das Casas Bahia ou se a vendedora da Avon veio cobrar mais cedo, mas a bicha estava com um super mal humor e descontou no meu cabelo! Ela passava aquela máquina com uma má vontade… E eu tentando falar pra ela ir com mais calma e a bicha não me ouvia! Eu fiquei chocado! Ela me machucou! Nunca mais volto nesse salão. Mas, pior que isso, fiquei decepcionadíssimo com a atitude da bee! Já pensei que a gente ia ferver horrores, que a gente ia fritar, trocar Facebook e MSN! Mas nem rolou!

E isso me lembrou de uma outra bicha trava que morava no meu bairro! Ela sim era um luxo! A nervosa trabalhava num salão chiquérrimo em São Paulo, daí ela se mudou pro meu bairro em Guarulhos e abriu um pequeno salão de cabelereiro na esquina da minha rua.

Era uma coisa bem simples, mas, a nervosa trouxe toda a clientela dela do salão que trabalhava e, em seis meses, a beesha já se mudou pra um lugar maior na mesma rua e, depois de um ano, pra um casarão, ainda no meu bairro, mas numa parte mais nobre.

E a bicha era muito nervosa! Ela pintou o casarão de rosa choque pink! E ia no mercadinho e na padaria com uns vestidos esvoaçantes e cores berrantes. E o povo todo chocado. Mas ninguém se atrevia a falar nada na cara dela porque ninguém era besta, né? E eu achava o máximo porque ela não tinha o menor medo de ser ela mesma.

Daí, certo dia, na padaria, eu estava atrás dela na fila. E ela estava com um boy amigo dela. Começamos a bater papo e, sempre que a via, a cumprimentava. E teve um dia que esse boy amigo dela queria o meu telefone e ela veio me pedir. A bicha era muito afronte! O boy nunca me ligou, mas sempre fazia questão de cumprimentar essa loca. E cada dia que passava, ela fazia uma intervenção cirúrgica diferente. Teve uma hora que a bixa já tava a cara da Christina Aguilera!

Depois ela se mudou, acho que pra um lugar ainda maior. Mas foi pra bem longe e nunca mais a vi. E, por causa dessa bicha afronte que a minha experiência traumática com trans cabelereiras não será afetada jamais!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mariner Season Finale

Olá para todos. Muita coisa aconteceu desde a última vez que atualizei esse blog. A notícia mais importante de todas é que não estou mais a bordo do Mariner of the Seas. Estou de volta ao Brasil, embarcado no Vision of the seas e fazendo o roteiro Santos-Rio de Janeiro-Salvador-Búzios e Ilhabela. Era pra eu terminar este contrato dia 16 de janeiro e ir embora de férias, mas, eles me estenderam até abril deste ano. Na verdade, eles me perguntaram antes de fazer isso, e eu disse que sim - já que não tinha marcado nenhum compromisso durante as férias e estava super descansado.

O meu chefe, aquele americano estressadíssimo, continuou estressado, mas, no final das contas, a gente sempre se deu bem e tudo terminava bem. Nunca vou esquecer de um dia que ele pegou o carro pra ir comprar aparelhos na BestBuy, em LA e me chamou pra ajudá-lo. Ele estava dirigindo e deu uma freiada brusca e, instintivamente, estendeu o braço dele na minha frente pra evitar que eu batesse a cabeça no vidro (apesar de eu estar com o cinto de segurança) - acho que só a minha mãe que fez isso por mim. Ele foi embora um pouco antes de eu ir embora também e eu sei que ele me quer bem - e o desejo é mútuo.

Também fiz um grande amigo da Sérvia - que o navio inteiro pensa que a gente era namorado; mas não rolou nada além de amizade. Até mesmo porque ele tem namorado lá na Sérvia e eu não mexo com gente comprometida - não faz bem para o meu carma cósmico. Mas sinto saudades de conversar com ele. E, duas semanas antes de eu ir embora, o Brian - o manager do bar, voltou pro navio. Mais lindo, fofo e gentil do que nunca. Muitas saudades dele. Pena que não deu pra matar as saudades por muito tempo… :(

Desembarquei em Lima, no Peru (que é um lugarzinho sujo) e, depois de 10 horas plantado no aeroporto, voltei pra São Paulo, aonde pegaria o navio no dia seguinte. A compania me colocou num hotel em Guarulhos - minha cidade natal; e é claro que eu me joguei lá numa suíte de luxo com diária de 700 reais; achei muito digno. Revi a família, e fiquei um pouco em casa, mas, tava tão calor, meu quarto estava tão quente e tão abafado que eu fiquei muito feliz de estar num hotel e não precisar aparecer em casa pelos próximos 2 meses mais quentes do ano.

Voltei a ter reais na carteira, comi laranjas que realmente tinham gosto de laranjas; bebi guaraná antártica e, o mais importante de tudo, na hora que desci pro café da manhã no hotel, me deparei com uma bandeja com dezenas e dezenas de pães de queijo! Verteu uma lágrima do meu olho e matei as saudades dessa iguaria tão rara fora do Brasil.

Quanto ao Vision, ainda não tenho uma impressão formada sobre este navio. É um navio bem antigo, tudo caindo aos pedaços, apesar de ter muitos brasileiros trabalhando aqui, poucos são simpáticos; muito viado querendo aparecer, muita bixinha querendo fazer carão. Estou me adaptando ainda ao fuso horário local e passei os últimos dias dormindo e tentando me ajustar ao calor intenso que faz aqui.

Não comentei direito sobre os últimos 3 meses a bordo do Mariner porque, na verdade, não houve muita coisa pra comentar. Era a mesma rotina sempre. Assisti séries completas do começo ao fim, escutei muita música, toquei bastante de DJ nas festas, fiz amigos, me estressei bastante, chorei muito na minha cabine, mas muito mesmo… Me diverti demais e sempre lembrarei do Mariner com muito carinho.

E o melhor momento do Mariner foi no meu penúltimo dia a bordo; que teve uma festa fechada pra tripulantes na Dragon's Lair - a boate principal do navio e o DJ me deixou tocar por uma hora - a pista foi no chão e eu fechei com chave de diamantes a minha temporada de seis meses e meio no Mariner of the Seas. Minha marca foi deixada naquele navio; prova disso foi eu almoçando com uns novatos brasileiros que tinham acabado de chegar e, ao mencionar que estava indo embora em alguns dias, um deles me fala: "ah! então você que é o famosão que está indo embora em Lima!". Parafraseando a minha saudosa amiga Pat Camargo, respondi:

"Olha, eu não queria me gabar, mas, já que você perguntou…"

Rsrsrsrsrs

Beijos

sábado, 8 de janeiro de 2011

Atlantis (Parte 2 de 2)

Ain… Desculpem o sumiço! Foi uma mistura de preguiça com ócio! Aliás, feliz ano novo pra todos. Também estava esperando pegar umas fotos com um amigo pra atualizar este post, mas tô sem paciência. Vou postar o post (que foi escrito há meses atrás) e depois eu posto as fotos do Atlantis no meu facebook!


Dia 4 - Mazatlan


Novamente, dormi de dia pra só acordar de noite. Desta vez, teve a festa "Leather Fetish" ou "Fetiche de Couro" em bom português. Já nos jogamos na festa no pool deck. Batemos cabelo horrores. E fizemos amizade com uma beesha que estava com uma bota de couro com salto plataforma gigante… Nem preciso falar que dois minutos depois, a minha amiga bee já deu a elza na bota e já estava desfilando pelo deck de salto. E todo mundo passado…


Daí, descemos pra boate do navio e foi a minha vez de experimentar a bota. Detalhe que eu nunca andei de salto alto na vida. Coloquei a bota e a beesha me deu um empurrão. Resultado: aprendi a andar de salto alto em 3,2 segundos (porque cair do salto, jamais!). Me senti um passarinho aprendendo a voar, que a mãe joga do galho mais alto da árvore! Babado! Já arrasei. Achei elegante andar de salto. Acho que é um talento adormecido que eu não sabia! E é claro que eu tirei foto de salto alto!


Enfim… Nesta altura, eu já estava 20 cm mais alto e passa um boy hetero que trabalha na parede de escalada… Uma graça! Já chego nele e começo a desabotoar a camisa do boy (detalhe que eu já tirei a roupa, dançei e fui encoxado por praticamente todos os héteros arrasadores desse navio, rs). Foi muita dignidade! Também fiz amizade com umas bees de San Diego, fofíssimas!


Dia 5 - Puerto Vallarta


Neste dia, teve a festa "90 Diva's Party" no pool deck. Ou seja, só as divas dos anos 90: Whitney, Cher, Madonna, etc… Foi luxo, poder, sedução, magia e riqueza. O povo do navio tudo passado porque eu sabia dublar, literalmente, todas as músicas da festa.


Então, lá pras 3 da madrugada, eu resolvo descer pra boate do navio e ver como está o movimento. Chego na porta, e já ouço a música baixinha e dou meia volta, detalhe que tinha dois seguranças do navio dentro da boate, saindo pela porta. Ando tranquilamente da boate até a minha cabine. Dois segundos depois, o telefone toca. Era meu amigo bar-server: "Diegoooo.. o que você fez??? Tem uns 4 seguranças atrás de você!!!! Eles estão tudo correndo!". Fiquei trege! Como assim, Brasil???? Acho que os seguranças pensaram que eu dei meia volta por causa deles. Deviam ter pensando que eu tava bêbado, ou usando drogas e tinha algo pra esconder. O que eu sei é que eu não corri… Saí tranquilamente de lá até a minha cabine. E, no final, não pegou em nada. Mas foi tenso os seguranças atrás de mim.


Dia 6 - Sea Day


Fui assistir ao show dos dançarinos e cantores no teatro. Como só tem viado no elenco, nem preciso dizer que todo mundo se jogou! Eles fizeram uma apresentação especial e trocaram os papéis das meninas pelos meninos. Teve de tudo: os dançarinos dublando as vozes das cantoras. Simulação de sexo oral e até uma bixa de salto alto fantasiada de Carmen Miranda, dançando "Viva, Las Vegas". Foi choque!


E, a noite, teve a festa principal: a White Party! Novamente, tive autorização do cruise director pra me jogar na pista de dança! Bati muito cabelo! Me acabei na festa. Mas me comportei direitinho! Não fiz nada demais! A não ser umas apalpadas levemente inapropriadas no técnico de som hétero peruano fofíssimo que também estava na pista dançando com uma racha do SPA.


Dia 7 - Sea Day


Não fiz praticamente nada. Porque não teve mais nenhuma festa neste dia. Mas teve uns shows de stand-up comedy ótimos que eu assisti. Também aproveitei o dia pra descansar e recuperar as energias da maratona de festas. Foi close, tumulto e poder! E do Atlantis, só restou as saudades! Porque tudo voltou ao normal na semana seguinte e não era a mesma coisa.


Cadê a música afronte?

Cadê as baladas que viram a noite?

Cadê os boys??


Fin